Secovi-SP lança o Programa de Ecoeficiência em Condomínios

Postado por Catarina Anderáos em 07/out/2015 - Sem Comentários

O Secovi-SP (Sindicato da Habitação), em parceria com o CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), acaba de lançar o Programa de Ecoeficiência em Condomínios, cuja meta é fazer levantamentos sobre o estágio do consumo médio de água, luz e gás de áreas comuns em edifícios residenciais na capital paulista, criando o primeiro banco de dados do tipo. A iniciativa é das vice-presidências de Sustentabilidade, de Tecnologia e Qualidade, e de Administração Imobiliária e Condomínios do Sindicato.

A partir da coleta dos dados, condomínios poderão comparar o seu consumo com outros semelhantes e verificar se seus gastos estão na média, abaixo ou acima. Neste caso, será possível investigar a existência de problemas como vazamentos, mau uso dos recursos ou desperdícios, e adotar medidas corretivas. Só para se ter uma ideia da participação desses itens nas despesas ordinárias mensais de um condomínio residencial regular, estima-se que a conta de luz represente entre 10% e 12% e água, de 12% a 15%.

A adesão de síndicos, além do apoio das administradoras, é fundamental para o sucesso do Programa, cuja primeira etapa consiste exatamente no levantamento de dados. Eles poderão preencher o formulário no site com as informações de consumo do seu condomínio dos últimos 12 meses. Basta se cadastrar e iniciar o preenchimento, seguindo as instruções. A coleta será feita até 31/10/2015.

Razões para participar

Há motivos de sobra para participar desse levantamento. Primeiramente, há uma crise hídrica sem precedentes, a qual obrigou a adoção de providências emergenciais com vistas ao uso racional dos recursos.

Além disso, a elevação de tarifas de água e energia estão preocupando os cidadãos, haja vista que os porcentuais aplicados estão bem acima do reajuste da renda da maioria dos condôminos.

Mensalmente, o Secovi-SP realiza relevante estudo para acompanhar a evolução das despesas em edificações residenciais: o Índice de Custos Condominiais (Icon).

No mês de julho, o item “Tarifas” do Icon – referente a água, energia e gás – registrou uma variação de 24,22% no acumulado do ano (janeiro a julho de 2015).

De acordo com o Índice, de janeiro a julho de 2015, a variação acumulada da conta de energia foi de 36,6%, a de água, 22,81%, e a de gás, 5,85%.

Considerando-se os primeiros sete meses dos últimos cinco anos, a conta de energia só sofreu aumento significativo em 2014 (de 11,22%). E em 2013 houve decréscimo de 9,81%. A conta de água permaneceu estável praticamente todos os anos, exceto em 2013, quando houve aumento de 2,4%. Já a despesa com gás apresentou altas em 2011 (5,17%), em 2012 (10,09%), em 2013 (6,48%) e 2014 (3%) – a exceção foi em 2010 (-0,5%).

Segundo Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP, o Programa de Ecoeficiência em Condomínios será muito útil para os condomínios. “Para que o Programa seja bem-sucedido, contamos com a participação dos síndicos, que terão uma ferramenta para o controle de gastos das referidas contas e para a elaboração de medidas corretivas e preventivas, favorecendo a saúde financeira dos empreendimentos, além de contribuir para a preservação dos recursos naturais, que são finitos.”

As informações serão analisadas e consolidadas pelo CBCS, formando a primeira base de dados para comparações anuais. Os resultados serão publicados no próprio site do Programa. “Esta iniciativa irá permitir que cada vez mais pessoas acessem informações e referências atuais sobre o consumo de energia nas áreas comuns de suas moradias e, com isso, poderá estimular a conscientização sobre a necessária mudança de comportamento para o uso racional e a possível adoção de novas tecnologias e fontes alternativas de energia em empreendimentos residenciais”, explica Roberto Lamberts, conselheiro e coordenador do Comitê Temático Energia do CBCS. “Ao comparar o seu consumo real com a referência, o participante poderá identificar oportunidades de melhorias e ganhos não somente econômicos, mas, também, que envolvem as esferas da educação social e da preservação ambiental”, conclui Lamberts.

Uma segunda etapa consistirá no fornecimento de dicas e orientações sobre medidas que podem ser adotadas, com vistas à redução das despesas condominiais.

Crise econômica

“Um velho ditado ensina: ‘quem não mede, não gere’. Como nunca a gestão se mostra indispensável para controlar as despesas de um condomínio, haja vista que, mediante o difícil cenário econômico, a inadimplência tende a aumentar”, reforça Gebara.

Segundo levantamento do Secovi-SP, em julho deste ano, o número de ações judiciais por falta de pagamento da taxa condominial na cidade de São Paulo apresentou alta 74,8% em comparação com o mesmo mês de 2014. No acumulado de janeiro a julho houve variação de 37,6% em relação a igual período do exercício anterior.

“Como a multa por atraso no pagamento do condomínio é de apenas 2%, as pessoas optam por pagar as faturas do cartão de crédito, por exemplo, cuja taxa de juros é de 10% ao mês ou mais. Não sabemos quanto tempo o Brasil levará para superar a crise atual. Portanto, todas as medidas que possam contribuir para reduzir despesas são indispensáveis. Nesse sentido, o Programa Ecoeficiência se constitui em importante ferramenta para identificar se o edifício está acima da média geral e, em caso positivo, conscientizar os moradores e adotar medidas de correção”, conclui Gebara.

União de esforços

O desenvolvimento do site Ecoeficiência também contou com o empenho de mais duas vice-presidências do Secovi-SP, a de Sustentabilidade e a de Tecnologia e Qualidade.

No entender do vice-presidente de Sustentabilidade, Ciro Scopel, todas as ações que possam contribuir para a preservação de recursos naturais e gerar economias merecem especial empenho do setor imobiliário e da sociedade. “A existência de um instrumento que permita avaliar o nível de consumo nas edificações residenciais pode determinar um novo tipo de atitude e, principalmente, medidas adequadas. É preciso lembrar que a sustentabilidade se apoia em três pilares: ambiental, econômico e social. Evitar desperdícios atende pelo menos duas de suas grandes premissas.”

Para Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sindicato, as futuras referências decorrentes do site serão importantes também no que diz respeito à utilização de materiais que apresentem melhor desempenho. “Com base nos dados do Ecoeficiência, a realização de novos empreendimentos terá condições de identificar meios de ampliar o uso racional de água, energia e gás, com adoção de tecnologias de ponta. Conforme o caso, essas tecnologias também poderão ser empregadas em reformas de edifícios em operação”, considera.

Como participar

Síndicos devem acessar o site (www.ecoeficienciaemcondominios.com.br), efetuar o cadastro e informar os dados. Todas as informações têm caráter confidencial.

As administradoras podem colaborar no fornecimento de informações necessárias para o preenchimento do questionário.

Sustentabilidade vale a pena

Postado por Catarina Anderáos em 23/jul/2014 - Sem Comentários

Afligidos pela seca mais rigorosa dos últimos 80 anos e às voltas – mais uma vez! – com a ameaça de um apagão elétrico, somos convidados a repensar hábitos de consumo e a concentrar esforços na luta contra o desperdício. Afinal, não existe, no mundo contemporâneo, espaço para o pensamento mágico de que “as coisas se ajeitarão”, ou mesmo para uma fé inabalável no suprimento das nossas necessidades por meio de alguma providência divina.

Devemos usar nossa inteligência para a busca de soluções que nos permitam utilizar os recursos naturais de forma mais sensata, cumprindo a meta essencial do desenvolvimento sustentável: atender nossas necessidades presentes sem comprometer o bem-estar das gerações futuras.

Um elemento indispensável a esta equação é o uso de técnicas e materiais que se enquadrem no que se convencionou chamar de “construção sustentável”, tema do livro “Tornando nosso ambiente construído mais sustentável: Custos, Benefícios e Estratégias” (“Greening Our Built World: Costs, Benefits and Strategies”, no original), do norte-americano Greg Kats.

O autor é uma autoridade no assunto. Especializado em tecnologia de energia limpa, capital de risco e imóveis, ele foi o principal consultor no desenvolvimento do Green Communities (Comunidades Sustentáveis), padrão que rege os projetos de habitações de interesse social sustentáveis dos EUA. Seu principal mérito reside na abordagem essencialmente realista do tema. Sem demagogias ou exageros pseudoecológicos, ele mostra caminhos economicamente viáveis para uma mudança radical e positiva na nossa forma de edificar – e de utilizar as nossas edificações.

O livro mencionado acaba de ser traduzido para o Português, por uma iniciativa do Secovi-SP, o Sindicato da Habitação. A obra apresenta números que, embora levantados em cenários e realidades bem diferentes do que vivenciamos no Brasil – temos outros sistemas prediais, outros comportamentos no uso e ocupação do solo etc. –, ainda assim são reveladores.

Greg expõe a relevância do processo investigatório que identifica consumos e emissões e os relaciona a investimentos e benefícios. O conhecimento aprofundado destes indicadores e a sua medição contínua são fundamentais para a melhoria das soluções de projeto e dos métodos construtivos adotados pelo setor imobiliário brasileiro. Aliás, evidencia-se que, apesar de pesquisas anteriores apontarem que uma construção feita com estes novos parâmetros de engenharia seriam mais elevados, este aumento de custo fica em torno de apenas 2%! Trata-se de um investimento que vale a pena, pois ele traz retorno não somente no que tange aos ganhos ambientais, mas também, de forma muito pragmática, reduz custos do dia a dia (por exemplo, nas contas de água e eletricidade).

Além da importância das informações levantadas pela obra para o estabelecimento de diretrizes de projeto para as novas edificações, elas também são extremamente relevantes para o aperfeiçoamento do ambiente construído já existente, orientando o processo decisório de investimentos em reformas, por exemplo. Em palavras mais simples: mais que fazer o retrofit de um edifício, o empreendedor pode optar por uma reforma sustentável, que permita melhor penetração de luz natural, que facilite a circulação do ar, reduzindo a necessidade do uso de ar-condicionado.

Outro fator relevante abordado pelo livro é o fato de as edificações serem os componentes de um todo, formando os bairros e as cidades – que, por sua vez, devem abrigar comunidades cada vez mais sustentáveis em termos de infraestrutura de abastecimento, saneamento e transporte etc.

Em linhas gerais, a obra resulta de um trabalho de 20 meses, iniciado em 2007, envolvendo arquitetos, investidores, consultores em construção sustentável e proprietários de edifícios. Foram reunidos dados detalhados sobre 170 edifícios sustentáveis dos EUA e analisados os valores investidos, as despesas com energia e água, os benefícios à saúde, o aumento da produtividade de seus ocupantes etc. A conclusão: investir em sustentabilidade no futuro vale a pena, e quanto antes o Brasil começar a fazer isso, melhores serão os frutos que colheremos no futuro.

(*) Ciro Scopel é vice-presidente de Sustentabilidade do Secovi-SP.

Veja também:
Incentivos para a sustentabilidade